ilustração de mulher com cabelos preto e fundo da imagem rosa

O príncipe que virou sapo? Ou já era?

Para que pudesse ser constituída, tive influências familiares, culturais e experiências de vida, mas em nenhum momento descobrir o que é o amor. Quando penso em alguma personagem de filme, lembro de Elizabeth do filme Comer, Rezar e Amar, a qual estava em um casamento em que não se via mais, em que havia mais tristeza do que qualquer outra coisa. Ela não queria construir uma família, na verdade, não sabia o que queria ou até mesmo tinha medo de saber. Mas a questão é que pediu divórcio, foi embora e encontrou outro cara, onde continuou a repetir. Pasmem, um mulherão daquele odiava ficar sozinha, odiava estar não-acompanhada, e isso me fez pensar sobre todo o ciclo em que tenho em minha vida.

Identifiquei-me com Elizabeth, porque entrei em um relacionamento fadado ao fracasso, como pode alguém dizer que me ama se ao mesmo tempo quer me controlar, mandar em mim e que seja obrigada (de alguma forma) a responder a demanda que tanto almeja? Não sei em qual momento da minha vida entrei na repetição de me inserir em relacionamentos abusivos, em aceitar a destruição em que os homens faziam com meu coração, mas, aceitei, permiti e morri.

O último relacionamento não foi diferente, tinha ataques de pânico toda vez em que via o modelo do carro em que ele usava, questionava se passaria pela minha rua ou se iria me vigiar. O amor nunca foi presente em minhas relações conjugais, e devo suspeitar que nem eu mesma amei. Talvez porque a razão pela qual queria estar com alguém não era amor, não era compromisso, era medo de estar só. Queria alguém que estivesse presente de qualquer forma, e então, conseguia justamente os que mais detonavam meu coração, e para mim, naquela época estava tudo bem, mas não estava.

A mulher ao entrar em um relacionamento abusivo e entrar em outro e em outro, não escolhe conscientemente o prazer em sofrer. Há algo na história dela, não há de ter julgamento. Quando finalmente consegui sair de uma prisão, quis voltar para a mesma, achei que apenas ele poderia me amar, me cuidar, mas não amava. Tinha-me como posse, como objeto de sala ou de quarto. Às vezes achava que ele gostava de me ver sangrar e me sufocar. Será a possibilidade dele algum dia me matar ou estou exagerando? Talvez não.

Bem, espero jamais saber essa resposta. Espero que enquanto escrevo esse texto, nenhuma mulher seja morta pelo companheiro, ficante, marido ou ex marido ou ex namorado. Eu sei, mulheres, o que é estar em um ciclo de violência, mas também sei que é possível se desfazer, que é possível não dar liberdade para aquilo que nos mata. A vida é cheia de possibilidades e movimentos, quem dizia me amar, me matou, porém, alguém pode demonstrar que me ama e não me matar. O amor vai além do dizer, de ter dó, de ter pena. O amor é o amor, não dá para explicar. Apesar de tamanho machucado, buraco em que meu coração se encontra, de alguma forma, consegui continuar, consegui movimentar, e enfim consigo ser finalmente a mulher da minha vida. Então, mulher, se está lendo e sofrendo com tudo isso, saiba que é possível, peça ajuda, não está sozinha. Nunca estamos sozinhas.

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