Ilustração de menina beijando um trevo de quatro folhas.

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As relações entre o dinheiro e as pessoas nunca foram lá muito pacíficas. Mas hoje, estava cá a pensar: é possível declarar amor usando dinheiro? Muitas pessoas diriam que não, afinal, como comparar algo tão vil como o dinheiro a algo tão sem preço como o amor? Outros poderiam comentar que sim, que é possível falar de amor usando dinheiro, pois cada um dá o que tem. O fato é que, hoje, neste dia de semana tão fatídico onde o fim de semana ainda está longe e o último já é uma lembrança saudosa, eu recebi uma declaração de amor surpreendente em minha conta bancária. 

Skincare, treino de cardio, treino de força, terapias… Tudo isso engloba o que comumente chamamos de autocuidado e amor-próprio. Está na moda “preservar a saúde mental”, “ligar o foda-se” e outros tantos mantras sobre o amor-próprio que se propagam por aí. Mas hoje, fui arrebatada com uma pequena quantia a mais na conta. Ela não era esperada, mas veio de uma devolução da qual eu me esquecera. Algo que paguei a mais e agora voltava, no turbilhão de boletos que decora a vida adulta. Este dinheiro inesperado, obviamente, me fez abrir um sorriso daqueles que só se vê em quem achou aquela nota de valor perdida na rua. Quem não gosta?

Depois de sorrir como uma criança com a moeda na mão que acabara de achar, pensei rapidamente nhoque poderia fazer com a pequena fortuna. Adiantar contas? Comer num restaurante? Aquele xampu caro? Ah…eu vi uns tênis ontem… Não. Rapidamente meu cérebro voltou-se a um sonho guardado por meio de uma “meta” num banco digital, 100% do CDI? Boa, para uma conservadora leiga de finanças, tudo certo.

Abri o aplicativo do banco para fazer a transferência ao digital, onde estava a minha caixinha de ouro. Nunca tive patrocínio de qualquer coisa. Ainda criança, comecei a trabalhar e meu primeiro ordenado virou uma sacola com frutas e legumes que eu, criança-gordinha-fora-do-padrão devia comer para “ficar bonita”. Pobre criança, de lá para cá foram contas e mais contas. Adolescente de roupas rotas e furadas ninguém olha, nem com tantas espinhas. Ano após ano, sem a roupa da moda, sem o patrocínio, sem o namoradinho, mas com espinhas. E muito trabalho.

Preenchi o formulário com as informações para a destinação da riqueza que acabara de receber. Era meu! Só meu! Meti a quantia na meta. Antes, porém, como toda transferência instantânea, um tópico do formulário me saltou aos olhos como nunca: “Adicione uma mensagem”. A frase me indagava o que eu queria dizer para mim ao mandar aquele dinheiro. O que você diria para você mesma, após anos de lutas solitárias e numa manhã fatídica onde nem é fim de semana passado nem presente, mas que de repente te deu um presente?

Pensei por alguns minutos e digitei a sentença jamais ouvida por mim dos lábios de quem quer que fosse: Para seus sonhos. Timidamente, não quis pôr em capslock, foi assim, início de frase, letra maiúscula. E, naquele momento, por meio do dinheiro, fiz de mim a mulher mais amada do planeta.

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